sexta-feira, 17 de junho de 2011

CE abaixo do Nordeste em saneamento básico

Ao mesmo tempo que o Ceará mostrou avanços em alguns pontos da condição de moradia das famílias extremamente pobres em relação à média brasileira, também amargou um péssimo desempenho em outros aspectos importantes. O pior deles, segundo o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, é o serviço de abastecimento de água tratada e tratamento de esgoto. Ponto crítico para as autoridades locais resolverem, pois o Estado ficou muito abaixo não só dos parâmetros nacionais, mas, inclusive, dos relacionados à região Nordeste.

Sem saneamento
Os dados são do Ipea, compreendidos no período de cinco anos (entre 2004 e 2009). Enquanto o crescimento do acesso ao saneamento básico para quem vive com até R$ 70 per capita no País, no intervalo mencionado, passou de 32% para 39% - ou seja, 61% dos brasileiros neste perfil não têm acesso a esses serviços essenciais -, no Ceará, esse índice é bem maior (77% não usufruem), já que o avanço, em igual tempo, foi apenas de 17% para 23% na quantidade de cearenses em estado de miséria que têm água encanada e esgotamento sanitário. Desempenho inferior até que o da média do Nordeste, onde 72% dos extremamente pobres não conhecem esses serviços, pois o aumento, em similar período, foi somente de 23% para 28%.

"O Ceará e o Nordeste têm piores indicadores sociais que os do Brasil. Tem coisas que o Estado está aquém da região nordestina, em se tratando de famílias na extrema pobreza que têm acesso a uma fonte de água e a escoadouro de esgoto adequados; porém, tem coisas em que está melhor, como fornecimento de energia que está nos mesmo patamar nacional e acima do desempenho do Nordeste", disse Rafael Guerreiro.

Fundamental
Segundo ele, a população radicalmente pobre de cada estado do País tem suas próprias características. Por isso, acha fundamental o propósito do Estado de ampliar o repasse federal do Bolsa Família. "Para o caso do Ceará é uma solução rápida e resolve um dos problemas da pobreza, que é a questão da insuficiência de renda. Mas deve ser observada a questão da inclusão produtiva. O Estado deve ter um plano de desenvolvimento econômico para entrar em sinergia com as ações do governo federal". 

PARA EMPREGOEducação é a solução permanente, diz professor
Para os cearenses, chefes de famílias paupérrimas, que, em média, têm um nível de escolaridade de apenas 3,2 anos, de que vai adiantar a refinaria Premium II, o cinturão das águas, a Siderúrgica, o desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (cipp), a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), o cinturão digital, e muitos outros futuros empreendimentos que poderão aqui se instalar e gerar vagas de trabalho, se eles não estarão aptos para assumir esses postos?

Esse é, na visão dos especialistas que estiveram ontem no BNB, um dos mais árduos desafios do Ceará. Um leão que deve ser superado todo o dia por um Estado que está procurando progredir economicamente, mas que precisa, na mesma tocada, capacitar um contingente enorme de pessoas desqualificadas, sob a premissa de evitar que o sonho gerados por esses empreendimentos se tornem um pesadelo. Educar é a solução, na opinião do professor Carlos Manso, do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), do Caen, da UFC. "Como é que vai ocorrer a inclusão produtiva na extrema pobreza se não há qualificação. Essa é a grande dificuldade: como incluir. Fazer escola não é difícil, o difícil é colocar as pessoas lá. Não é coisa simples não. Precisa incentivar muito".

Transformação
Carlos Manso acrescentou que é fundamental a instalação de escolas públicas de qualidade para mudar essa situação. "A grande preocupação é fornecer educação nos níveis elementares. Não é discurso retórico. Imagine uma criança muito pobre em colégio de alta qualidade. Isso se sim vai puxar uma transformação duradoura. Só assim, estados como o nosso poderão se transformar".

ILO SANTIAGO JÚNIOR


FONTE: Diário do Nordeste

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